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terça-feira, 22 de março de 2011

FUI VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

A violência doméstica é algo tão absurdo que invade lares onde JAMAIS se imaginava ser possível tal acontecimento. Acomete todas as classes sociais, sem distinção. Nos últimos tempos, após a Lei Maria da Penha, a televisão tem dado maior ênfase a alguns casos que podem lhes render uma audiência a mais, o que não alcança metade das incidências.

Durante minha vida eu ouvia dizer, contar, relatar, mas a situação mais próxima que eu vivi de tal fato foi quando namorado de uma prima a agrediu, segurando-a por entre as pernas e batendo sua cabeça ao chão. A brutalidade foi tão grande que ela precisou se submeter a uma tomografia craniana pois havia suspeita de lesão cerebral. Ele ainda lhe enfrentou com uma faca e ela, ao tentar se defender, cortou um dos dedos da mão. O que lhe rendeu alguns pontos...

Naquela época, provavelmente, a notável senhora Maria da Penha ainda vivia com seu agressor pois a lei ainda não existia. Me lembro bem da tarde que passei na delegacia acompanhando minha prima, esperando ser atendida... Foi penoso! Foram mais de 4 horas de espera para no final minha prima ser convencida pelo namorado a retirar a queixa-crime.

Mais de 10 anos depois eu fui agredida pelo meu marido. Havia completado um ano de casada, estava cheia de sonhos e planos para o futuro... Sentia saudades do tempo em que cursávamos juntos o curso de Direito e durante as tardes, enquanto não tínhamos aula, íamos para o clube... Era um namoro bom, invejado na faculdade, o sonho de muitas pessoas. Planejava ter um bebê, já nem me prevenia mais.

Mas o sonho tinha um preço caro: custaria a minha vida!

Com quatro meses de casados meu agressor me abandonou. A princípio eu senti muita raiva, mas depois Deus foi transformando a minha vida e eu COMECEI a compreender o significado do casamento para Ele. Deus trouxe meu marido de volta pra casa – e ele veio com suas próprias pernas! Até chorou, acredita?

Eu só podia AGRADECER!

Eu estava vivendo os sonhos de Deus para minha vida!

Mas havia uma guerra travada – uma guerra que eu não conhecia, e ainda conheço muito pouco.

Meu marido saía de casa normal e voltava agressivo. O que acontecia enquanto ele estava fora? Não sei...

Minha sogra me mandou lavar e passar as roupas dele – como se a diarista de minha mãe já não o fizesse por pelo menos 1 ano antes de nos casarmos... Posteriormente, enquanto ele viajava, ela gritou comigo ao telefone pois queria o carro dele. Fechou com chave de ouro quando me perguntou se meu carro novo (ganhado de minha mãe no natal) estava em meu nome...

Enquanto eu dizia: Sim, Pai, eu quero viver o que o Senhor tem pra mim.

Meu agressor dizia: Não, Pai, eu nem sei o que estou fazendo aqui, eu não quero esta MERDA de vida pra mim.

Até chegar o dia em que ele se ofendeu pois eu sugeri que passássemos um dia inteiro juntos – achou que eu estava controlando sua vida (que também era minha); ou... “frustrando seus planos”? Neste dia eu lhe deixei um bilhete (o qual ainda guardo comigo) pedindo para me tratar melhor. E isso o ofendeu muito! Começou a brigar, fazer chantagens, pressionar, ameaçar, ofender... Após um bom tempo sendo agredida verbalmente, eu decidi mandá-lo embora. Foi então que ele passou a me agredir fisicamente.

A violência doméstica é algo tão surreal que você não espera pelo ato e não acredita no que está acontecendo. Parece que há um véu entre você (agredida) e a realidade. Por mais de 10 minutos eu fiquei como um boneco nas mãos do meu agressor e a primeira reação que tive foi olhar em seus olhos e dizer: “Eu te amo, pára com isso!”. Surpreendentemente eu ouvi: “É exatamente porque eu te amo que EU VOU TE MATAR!”.

Na minha cabeça, eu achava que ao ouvir eu lhe dizer que o amava ele pararia de me agredir, me daria um abraço e ficaria tudo bem. Foi neste momento que ele tentou me matar por sufocamento. Eu senti meu espírito saindo do meu corpo. Tive a certeza de que morreria ali. Quando ele me soltou eu nem corri para a rua. Estava completamente sem reação...

Ouvi quando ele mexeu nas gavetas de facas, ainda guardo em minha memória o som dele escolhendo a maior delas para me matar. Mas eu NUNCA imaginei que ele PENSARIA em tal coisa. Foi quando ele gritou: “Ligue para a polícia vir buscar os corpos pois eu estou te matando e vou me matar depois”.

Neste momento, eu corri pra rua...

Mas ele não parou. Com a faca empunhada ele correu e só parou quando eu gritei por minha vizinha e ele temeu ser preso em flagrante já que estávamos na casa de meus pais, que moram em um condomínio de luxo e possui ronda 24h.

Hoje, eu estou aqui pois não estava em meu apartamento. Se estivesse, não lhes contaria esta história, teria estampado as capas de jornais por algum tempo como uma menina de classe média alta que fora encontrada morta 3 ou 4 dias depois já que era férias e meus pais estava viajando e a diarista de folga.

Esta história tem muito mais detalhes que eu lhes conto depois!